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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Até que a morte nos separe

Número de divórcios cresce a cada ano e até dentro da própria igreja surgem casos de separação, o que tem tirado o sono de muitos pastores



Instado pelos fariseus a responder se era lícito a um homem deixar sua mulher por qualquer motivo, Jesus foi enfático: Segundo Ele, apenas em caso de adultério o divórcio seria admitido. O que passasse disso seria devido à "dureza de coração" das pessoas. No momento em que aumenta a quantidade de casamentos dissolvidos, na sociedade em geral e até dentro da Igreja, a fala de Cristo dá mesmo o que pensar. Muito mais casais cristãos se divorciam hoje do que tempos atrás, quando a ideia de uma separação sequer era cogitada pelos evangélicos. A verdade é que o divórcio hoje faz parte da realidade da Igreja.

O Pastor Josué Gonçalves, líder do Ministério Família Debaixo da Graça, afirma: "Sabemos que nem sempre os problemas conjugais podem ser resolvidos. Mas o divórcio nunca deve ser visto como porta de saída, mas sim, como uma saída de emergência".

A pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, a cada 100 casamentos, 23 são desfeitos, ou seja, 23% dos casais acabam se separando. O mesmo IBGE diz que, de 1940 até 1990, o percentual de pessoas divorciadas, na população em geral, aumentou aproximadamente 15 vezes.

Desde 2007, a burocracia para quem quer se separar diminuiu no Brasil. Agora, não é mais necessário entrar na Justiça – tudo pode ser resolvido nos cartórios de notas. Uma emenda constitucional feita no ano passado simplificou ainda mais esse processo. Em Caruaru o número de separações oficiais aumentou quase o dobro depois das alterações na lei.

Os dados mostram que entre julho de 2010 até o mesmo período deste ano, foram registrados em Caruaru 228 divórcios consensuais (quando há acordo entre o casal) e 312 litigiosos, ou seja, quando uma das partes não aceita a separação. Já de julho de 2009 a julho de 2010, houve bem menos divórcios: 179 consensuais e 109 litigiosos.

A emenda constitucio-nal permite que as pessoas casadas se divorciem independentemente do tempo de casados. Se elas se casarem hoje, podem se divorciar amanhã.

Com tantos casos de separações vindo à tona, a Igreja não poderia deixar de abordar o tema. Em março deste ano, um Concílio Especial na cidade de São José do Mipibu-RN reunindo pastores da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, definiu em que casos o divórcio é permitido entre membros das igrejas. São três: Infidelidade conjugal (a traição propriamente dita), Violência física (em caso de agressões por parte de um dos cônjuges contra o outro) e Abandono do lar (quando o marido, por exemplo, sai de casa e deixa a família).

Nestes casos a pessoa que foi vítima, que sofreu seja com infidelidade, violência física ou abandono do lar, pode casar novamente. O marido ou a mulher que provocou o divórcio não pode ter um novo relacionamento. “Até pode, mas ele ou ela irá sofrer as consequências pelos atos, como, por exemplo, a não aprovação da igreja”, disse o Pr. Ismael Junior que tem uma opinião formada sobre o fim de um relacionamento. “O divórcio é sempre ruim, nunca é bom. Apesar da facilidade hoje para se separar, a Palavra de Deus ainda continua apontando para os malefícios do divórcio”, disse. Ele ainda lembra que “em todos os pontos onde seja possível a separação é uma concessão, não um mandamento bíblico, e mesmo onde há concessão há a necessidade do perdão para se dar continuidade à vida espiritual”, finalizou.

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